Já há algum tempo, venho falando sobre preconceito, agressões verbais, falta de solidariedade, egoísmo, desamor e falta de respeito de um modo geral.
Porém, é preciso salientar que tudo se agrava quando as vítimas são pessoas com algum tipo de deficiência.
Já escrevi sobre isso. (Título do texto: Você não sabe o dia de amanhã)
Sou deficiente há 18 anos e até a pandemia eu não tinha sido tão hostilizada, como venho sendo nestes últimos dois anos.
Coincidência?!
Não acredito!
Moro em Santos, litoral de SP.
Quando vou à dentista tenho que ir com o carro.
Quando fui sair do estacionamento de ré, um motorista parou pra eu manobrar.
Olhei na câmera de ré pra ver se havia carro do outro lado.
Não havia!
Então continuei com a manobra e fui embora. 
Logo a frente, parei no farol vermelho.
Quando parei, um motorista parou ao meu lado e disse que uma mulher estava furiosa, porque eu tinha batido no carro dela.
De repente, a mulher chega esmurrando o vidro e chutando meu carro.
Aos berros, ela manda eu descer do carro e então, disse que não poderia, porque sou deficiente física.
Mesmo assim ela insistiu para que eu descesse.
Como não desci e as portas estavam travadas, ela repetia aos berros que eu era uma aleijada picareta, porque tinha fugido.
Pedi a ela que se acalmasse pra gente conversar, pois eu não sabia o que tinha acontecido.
O semáforo abriu e disse que ia parar pra gente conversar.
Tentei parar e percebi que se eu parasse ela iria me agredir. 
Pensei, não posso parar aqui, pra onde eu vou?
Decidi ir pra casa.
Foi quando começou a perseguição.
Moro num prédio, pensei que quando chegássemos lá eu ficaria mais segura para gente conversar.
Ela entrou no carro e me perseguiu, apertando a buzina direto.
Da dentista até o prédio são 7 semáforos.
Peguei todos eles fechado.
Em todos, ela descia do carro, esmurrava o vidro, chutava meu carro e berrava que eu era uma aleijada picareta, sacana e outros palavrões que prefiro não mencionar.
Quando o farol abria, ela voltava pro carro e continuava buzinando sem parar.
Ela chegou até a se agarrar no limpador de para-brisa pra eu parar.
Quando eu cheguei ao prédio, o portão demorou para abrir, ela desce do carro novamente para agredir mas, o portão abre eu entro e ela invade o prédio, quase batendo na traseira do meu carro.
Abri a porta para descer e ela me encurrala dentro do carro e continua me ofendendo.
Insisto em sair, ela se afasta e eu peço pra que ela se acalme, pra gente conversar.
Ela repetia incessantemente que eu era uma aleijada picareta, sem-vergonha que eu tinha fugido. 
Perguntei a ela:- Como eu fugi se eu te trouxe para minha casa?
Saio do carro com dificuldade, ando até o porta-malas para sentar na minha cadeira de rodas.
Normalmente, quando entro no prédio, vem um funcionário me ajudar a tirar a cadeira e a leva até a porta do carro, pois tenho lesão medular e dor crônica.
Nas costas e no pescoço tenho parafusos, placas, 2 implantes: uma bomba de morfina e um neurostimulator.
O pouquinho que consigo ficar de pé e andar é um risco grande, pois minha perna esquerda foi afetada, por causa da lesão medular. 
Apoiar nela é sempre um risco porque ela é fraca e falha.
Perdi o movimento do pé e quase não tenho sensibilidade.
O funcionário do prédio tira a cadeira do carro, mas não consegue passar porque o carro dela impede.
O tempo todo, peço pra ela se acalmar pra gente conversar, mas foi em vão: ela estava ensandecida.
Com dificuldade chego até a traseira do carro para sentar na cadeira de rodas.
Digo a ela: Se você não se acalmar vou subir para meu apartamento. 
Na tentativa de impedir que eu me sentasse na cadeira, ela estupidamente tenta passar na minha frente e me empurra com força com um dos braços.
Caí de costas com toda força no chão.
O porteiro do prédio nada fez, nem sequer saiu da portaria.
De nada adiantou ir para casa!
Ele deveria, pelo menos, ter pedido pra ela sair e caso ela não o fizesse, o porteiro deveria ter chamado a polícia.
Bati a cabeça, as costas, o joelho, o ombro e o cotovelo no chão.
Estou com arranhões, hematomas, um enorme galo na cabeça.
Fui à delegacia fazer um BO e depois fui direto ao Pronto-socorro.
Por causa da queda terei que fazer 3 cirurgias ao mesmo tempo. 
Até agora não sei direito o que a deixou tão transtornada!
Meu carro não está amassado, tem apenas uns riscos na traseira.
Estou profundamente magoada, amedrontada e decepcionada com o ser humano.
Será que Jesus Cristo morreu em vão?!
Por que é mais difícil demonstrar amor do que desamor?!
Muito tem se falado sobre preconceito a homossexuais, pretos, mulheres…..
E Nós?!
Nós, estamos abandonados, sendo agredidos verbal e fisicamente.
Que ABSURDO!!!!
Nossa luta contra preconceitos, discriminação e bullying é solitária e diária!
Esta luta também é dos jovens!
Porque se vocês não quiserem passar por tudo isto, terão que mudar e lutar!
Por nós e por vocês!
AGORA!
Porque se vocês não morrerem na juventude, também envelhecerão e terão algum tipo de deficiência!
Ninguém sabe como será o seu amanhã!
Pensem nisso!
Bora lá, entender que todos merecem respeito e compaixão?!

 

Por      Walderez Siqueira

Walderez Siqueira

Santos, São Paulo, Brasil

Hoje, tudo o que eu mais quero, é sentir a vida de forma serena, gostosa, simples e natural!

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